A sensação de infinito -como descreveria Stephen Chbosky- que o Ano Novo nos proporciona chega a ser irracional. Qual é o sentido de pensar que um ano a mais no calendário que pende na sua porta faria alguma diferença no jeito com que lida com as coisas? Racionalmente, é insanidade. Sem fundamento. Porém, nessa história toda entra um velho conceito: Fé. Fé aquela que se sobrepõe a muitas virtudes que alguém pode ter. Fé essa que unicamente lhe permite tentar novamente algo em que fracassou. No entanto, conceitos são definições únicas e um tanto quanto pessoal. Os meus olhos não são os seus meu bem, não me seria justo deixar interferir. Compartilhe. Aí aparece uma virtude um tanto quanto contraditória. Compartilhar não é algo com que os humanos façam sem pensar duas vezes. Compartilhar é árduo. Compartilhar é firme, e nem sempre recompensador. Recompensar, pelo contrário, seria como respirar. Sempre que um favor nos é atribuído, sentimo-nos na obrigação de devolvê-lo sem precedentes. Justificamos tal ação como algo bom, mas a pura verdade é: Não gostamos de estar em dívida. Com ninguém e muito menos com nós mesmos. O débito que acumulamos em um ano, deve ser recompensado e compartilhado em saldo. O final de ano seria como fechar o caixa. O nosso próprio caixa. O Ano Novo é como uma forma de dizer para nós mesmos: Amanhã o lucro pode ser maior! E aí a infinidade de fé encontra-se viva e saudável em todos nós.
Once an author said that of all the possible combinations in the English language, "cellar door" is the most beautiful.
terça-feira, dezembro 31, 2013
terça-feira, dezembro 24, 2013
Gorgeous Holiday.
Os olhos dela são verdes e o batom vermelho. O sorriso é branco, sincero e contagiante. O cabelo, castanho, longo, modelado como de uma princesa. Toda a noite ela se vê sentada rodeada por pessoas que têm o dever de estar ali. O dever de rir a cada piada e não rejeitar nenhuma comida. Dever de apresentar sua felicidade para com todos presente. É risível a condescendência nesse dia enfeitado e também pesaroso. É palpável o entusiasmo dos mais novos à espera de presentes. É melancólico a expressão dos mais velhos. Estes ou ficam calados ou falam demasiado. Os que se calam, estão pensando em seus natais passados ou em quantos poucos ainda estão por vim. Os que falam demais, estão planejando mentalmente algo incrivelmente desesperado, e que geralmente, nos fazem sentir pena. A maioria dos adolescentes demonstram em seu semblante uma pouca vontade de estar ali. No entanto, dentre todas as atitudes e - sinceras e desesperadas - todas as expressões, - deslumbradas e cansadas - encontra-se no meio de tudo o espírito de união. União daqueles que você gosta muito ou pouco gosta. União daqueles os quais não vê desde o Natal passado. União de todos. Cristãos ou não, o Natal é bonito para todos. Nas ruas, nas lojas e nas casas. Pode até ser uma data comercial da atual sociedade capitalista, mas não há como negar sua beleza. E esse é o significado: Celebração da união mútua e bela.
sábado, dezembro 14, 2013
Irrefutável amizade.
Espaço e tempo são duas incógnitas constantes na vida de alguém. A vida de alguém depende permanentemente de espaço e tempo. A necessidade de conhecer novos lugares, de comer comida de outros países, de falar outros idiomas e conhecer novos "alguéms". Alguém para você entender suas necessidades e provar da sua comida. Alguém para escutar músicas diferentes e para compartilhar as suas próprias. Alguém para você chamar de amigo. De melhor amigo. Alguém para fazer um sorriso de papel, uma lágrima de cristal. Alguém para lhe fazer feliz. Lhe fazer rir e para tomar café da manhã com você. Viajar é a melhor coisa que você pode fazer com alguém. Conhecer novos lugares e torná-los seus. Serão parte de você. Serão parte de um todo! A metamorfose chegará a vocês com a mesma rapidez, porém o resultado será incrivelmente diferente. Diferente do que você era ontem... Aliás, você já mudou. Diferente do que seu amigo enxergará, do que seus pais pensarão. Diferente... Completamente irreconhecível: você. Mudança de contexto, mudança de comida, mas e você, vem? Você está ou você encontrará? A mim ou a si mesmo?
sábado, novembro 30, 2013
Feito café.
Por um segundo, descobri-me inacabada. Senti-me como um rascunho. Incompleta, perplexa e inalterada a anos! O meu tempo de garantia expirou e a insegurança reina... Sinto que vou quebrar-me, sinto-me rompendo de fora pra dentro. Um estardalhaço de vidros. De fora pra dentro, penetrando minha pele e atingindo meus órgãos vitais. Apesar dos apesares, a necessidade está escorrendo... Derretendo... Substancialmente problemático.
- Volte a seu estado sólido! - Digo ao meu bem-viver.
- Volte você a seu estado compreensível - A resposta é vangloriada.
Que sentimento, que expressão, que atitude seria-lhe adequado? A adequação seria adequado? A perspectiva diz veemente que sim, não, sim. Calcule a frequência, desvende o gráfico! A adequação é desejada? A letra da música me responde em calmo samba. A poesia de Clarice Lispector me mergulha na minha própria... Vital? Tempo... De fora pra dentro! Você se identifica; se opõe; se reproduz; se interliga... O rascunho final é tão não-seu quanto meu bem-querer.
sexta-feira, novembro 22, 2013
A Política do Suicídio.
A comparação é praticamente um insulto. - Você se garante na frente do espelho - Na verdade não é mero insulto, é o maior deles. O sentimento de rebaixamento é visível e insultante. É um absurdo, um insulto! Porém, na verdade, é como se fosse uma verdade mascarada... Nada daquelas filosofias malucas sobre a subjetividade da verdade, é apenas uma verdade de maquiagem. E vestido de gala. O melhor amigo diria-lhe a verdade crua, o amigo lhe mostraria maquiada. E o insulto? Persistente. A vontade de lhe garantir é latente. O insulto foi demasiado avassalador. Fiquei atônita com a atitude deles. Quem pensam que são? Por um breve acaso já olharam-se no espelho? Já viram as miseráveis qualidades que os rondam? - Há a elevação notória dos pés dela - Ainda para finalizar, insistem em dizer que minha verdade encontra-se influenciada! Saberia vocês o que influência significa? Saberia vocês o que lhe renderiam uma bela influência? Não a julgue assim, tão depressinha... depressinha. A influência tornou-se o insulto, e o insulto tornou-se a maquiagem... De cara... às claras, cara por cara! - O golpe final causa um grande trabalho ao especialista em esparramento de sangue.
Administração.
Imagine cada indivíduo como uma empresa de marketing: O objetivo é ressaltar, vender uma imagem, entreter. Cada pessoa que você conhece vende uma imagem de si mesma e você deve a julgar de acordo com essa enquadrada perspectiva (embora saiba que não se trata apenas disso, pois você também é uma pequena empresa). Por você ser um ser pensante e também um tanto quanto emocional, você acha (erroneamente) que não deve ser tratado como um objeto, e é aí onde a maioria dos adultos se enganam.E digo adultos pois crianças não demonstram interesse algum nesse tipo de introspecção, e não, não deveria haver exceções. Todos nós, humanos, somos manejados, confeccionados e endireitados para entreter a nós mesmos. Até porque sem esse entretenimento próprio, seria um tanto quanto complicado nossa vivência. Imagine ainda um mundo onde a anarquia é declarada. Imagine um indivíduo anarquista. Imagine seu próprio mostruário, na sua própria esquina do seu próprio centro da sua própria cidade. Assimile a definição da palavra próprio. Administre a si mesmo, administre a sua própria anarquia interna. Administre eles. Administre todos. É o objetivo do marketing. É o objetivo da "empresa" e você tem um prazo a manter.
sexta-feira, novembro 08, 2013
ABC da vivência
O relógio na parede branca dá gosto. Gosto de se olhar, de olhar as horas.As horas vão passando rapidamente enquanto o sol raia no horizonte. A verdadeira surpresa é ver o sol raiar. Já se passaram dias, já passou-se você. O relógio na parede quebrou e agora eu acompanho as horas do dia através do Sol. Já fazia tempo, mas realmente nem reparei... Até então. Foi súbito, ou será que foi de súbito? Não importa. O vocábulo é inconstante, os pleonasmos viciosos. O gerúndio se repete incansavelmente. As sílabas se dividem de forma que formam você. É contemporâneo, é viajante. Ache-se no meio da confusão de letras, inspire-se e preste atenção na imagem que se forma diante do espelho. Respeite-se antes de exigir respeito. Exija saudade, exale amor. É contemporâneo, é o relógio, é a vida... E que horas são? Olhe o Sol.
quarta-feira, novembro 06, 2013
A tragédia do amor
A objetividade de amar é precisa, inconstante e indecifrável. Se você pensar, é bem clichê: Há o nascimento - Leve, rápido, intenso; Depois vem o desenvolvimento - Devagar, brando e tão pesado quanto carregar o sol nas costas. O envelhecimento é a melhor parte. Os velhos são a pior. A dependência é grande, assim como a necessidade. A visão de mundo é vasta, e conhece-se tudo. Conhece-se tudo aquilo que é teu. Tudo aquilo que é meu. É subjetivo, é metafórico e possui rima regular. O Eu desacredita e o Outro já cansou. As horas se arrastam, mas o tempo passa depressa... Depressinha. Não há muito o que dizer, os rins já não funcionam tão bem! E os olhos, opacos, já não vêem com a mesma clareza de outrora.
- Eu lírico, meu bem, tens certeza?
- Pois então, caro leitor, certeza não se tem, pois essa palavra é pura utopia. A humanidade a extinguiu de modo que só se é meia certa em cálculos matemáticos.
- Como podes acreditar que há de se viver sem certezas?
- Há de se crer que vivemos da tragédia do amor, a mais incerta das (in)certezas, e isso nos garante, tchê.
O último suspiro é o mais doce. O sorriso é certo e a lágrima verdadeira, e como se não tivesse ocorrido, acabou.
sexta-feira, novembro 01, 2013
Auto-preservação.
O cenário é bizarro: misturado, triste, melancólico e rancoroso. A expressão na face de todos só pode ser descrita como espanto. O desapego no qual ela os olha, é surpreendente. É profundo e significante de um modo que ninguém nunca havia visto. Por longos minutos, o silêncio é intocável e o véu que separa o amor e o ódio é extremamente espesso. Não seria estranho dizer que foi tocante, mas seria menos estranho não dizer nada... A justificação é ampla e implacável. Indiscutível. Não há discussões em um ambiente em que não há dúvidas. Seria como um sonho utópico. A igualdade seria garantida, e o amor reafirmado como única forma de garantia. Garantia inexistente mas ao mesmo tempo implicitamente tangível. Garanta-se. Garanta-se no amor, ou garanta-se no ódio. Garanta-se em algo. Mantenha os pés no chão e tome uma posição decente de como você aceita sua vida. Não volte atrás, não se volta atrás em nada... O jeito que você leva sua vida irá garantir a vida de seus filhos e seus filhos garantirão a vida de seus netos. Pense bem e garanta-se meu bem, antes que alguém garanta-se por você.
terça-feira, outubro 29, 2013
Justificativas
Tentativas de felicidade invadem nossas escolhas a todo momento, e somos obrigados a lidar com escolhas que não nos fazem felizes. A contraditoriedade que encontramos pelo caminho chega a ser absurda. Os nossos valores, conceitos e ideias mudam de acordo com o estágio da vida em que nos encontramos. E a alteração disso tudo nos torna novos indivíduos. Mesmo sem perceber, nos reinventamos diariamente e todos os dias acordamos novas pessoas. Nem tudo passa, mas você muda e isso é uma forma de fazer as coisas passarem. Muitos já tentaram entender o indivíduo, a sociedade e a felicidade. O fracasso destes é iminente. Às vezes penso que deveria haver uma fórmula, algo para facilitar a vivência, mas logo volto do meu utópico sonho e percebo que não. Não é assim. Viver é difícil, viver exige tudo de você, e viver se justifica pelo fato de poder-se viver, e mesmo assim há um grande porém: "A felicidade só é real quando compartilhada".
segunda-feira, fevereiro 18, 2013
Aspecto de Sonhador.
Gosto de vermelho
E o vermelho dá gosto
Tão vermelho quanto Marte
Mesmo com gosto de abacate
Ouvi dizer que na outra Terra
Há um pé de eucalipto
Suas cores trocadas indicam rosa
Mansinho...
Ssssh!
Você não quer o acordar
Faltam apenas 20 e poucos minutos
Para o sol raiar
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