sábado, setembro 23, 2017

Disfuncional




Antes que tudo comece, necessito de café. Preto e amargo, quente e aos litros. Houve tempos de que um chá de flores vermelhas teria me feito por satisfeita, mas além do café, a amarga aqui sou eu. Não sei muito bem caminhar nesse mundo sem meu cheiro e sensação. Sinto minha falta sem a oportunidade de ter me conhecido. Há muito que teus olhos já não mais encontram os meus e fé se tornou uma chacota existencial enfeitada de neologismos e repartições, dilacerações. Repetidas vezes, se faz presente o vazio mais latente no coração deste que lhes narra. Não há volta para sentidos passados e passados sentidos demais. Simplesmente não há espaço. Os olhos da doce menina se esvaem e dão lugar a algo inconsistente, desiquilibrado, transparente. Nada se esconde pois nada há. Parece melancólico e exagerado o conto que te conto, leitor, e garanto que é.  Me perdoe esse exagero enraizado que me cobre da cabeça aos pés, sem deixar faltar nem um centímetro do que resta de mim. Justificativas são dispensáveis e assim seja. Venho lhes contar sobre um mundo sem encantos e sem bondade. Não é nada adorável. Cito-lhe o mundo que eu e você queremos fingir não acreditar.  Cito-lhe o homem que depois de espancar tua mulher, chora um choro não válido. Cito-lhe crianças que vagam com o sentimento no coração de pura desgraça e podridão ao verem o irmão mais velho partir para longe e para onde não pode mais de ti cuidar. Cito-lhe o mundo aonde nada é o bastante, aonde nada nunca será. A comida não basta, as mães não bastam, o estudo não basta, o esforço não basta, o chá não basta, a crença pouco importa e quem dirá sobre as palavras? Estas nunca bastaram e eu me dou por vencida enquanto escritora pois nada que eu diga bastará. É triste, feio e escuro. É real e não imaginário. Enquanto todas essas dores doem, o mundo gira e o sistema é implacável lhe oferecendo apetrechos peculiares, lhe garantindo que quanto mais caros, mais bastarão. Poucos sabem que a manipulação é infindável e existe e exige de ti nada menos do que vinte e cinco horas de mascarada satisfação por dia. E no final de tudo, não bastam. Tu ainda tem que lutar. Para tantos, a luta se torna demasiado árdua, pouco arejada e forma calos aonde os olhos não alcançam, aonde ninguém, nem tu mesmo, tem acesso. É privado. É do Estado. Me indigna a indignidade na qual nos forçam a viver, tudo muito bem disfarçado e o caso muito bem abafado com a trivialidade de uma celebridade qualquer. Não há clareza mais se tua reação de questionamento é tolice ou coragem. Se for coragem, tu sabe que a carrega? Não encontro em lugar algum forças para encontrar respostas para os intermináveis porquês. O amargo do café passa a definir tudo aquilo que meus olhos míopes alcançam com dificuldade, como se fosse filtro. O amor já não se manifesta, pois também se tornou definição de causas as quais ele não basta. Esse mundo-contexto, não contesta a favor do indivíduo, se é que já um dia contestou. Tudo se parte em expectativas de vidas, índices de "desenvolvimento", gráficos, números e sistemas operacionais. De ti, meu irmão, não necessitam. Queria eu poder dizer: "Não se aflinja!". Mas não posso. Esse mundo não me cabe, não te cabe, e não cabe ninguém, pois alguém sempre é sinônimo de vida e tudo aqui deve ser cinza e funcional. Deve ser prático e lucrativo. Apático. Lhe definiram um padrão antes mesmo de tu nascer e doença classifica os passos tortuosos daqueles que o padrão não parece aceitável. Tudo muito polido, bonito, fingido. Um carro do ano, uma mulher que já atribuíram o papel de mãe sem nem mesmo antes questiona-la, pois é assim que deve ser. Quarta é dia de futebol, e nada mais importa, tu só precisa da cerveja da marca X que lhe garantiram que bastaria! Teu expediente começa as oito e termina as cinco. Ufa! "Me sentirei realizado quando tirar minhas merecidas férias."Será? Tu é pião, meu irmão. Mera parcela da população. A parte humana da humanidade foi hipotecada e vendida aos norte-americanos, não soube? No fim, nem teu caixão basta. Deveria ter sido italiano.

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Three parts of it all


Lembro-me bem de todos aqueles que me olharam com olhar calmo e me ofereceram palavras doces. Lembro-me pouco daqueles que dirigiram-me piscadas maliciosas. Não os acho interessante de forma alguma. A ligação que existe entre o meu eu e os meus sentidos tendenciam minha vida a intensidade constante. Sem saber sentir pouco demais, demais é o que prevalece, sempre presente. Meus ouvidos associam sons previamente conhecidos com sentimentos de época tal em que meu coração insistia teimosamente, como sou, em amar demais. Creio que erro não havia... Não tinha como haver. O tempo passa de forma extremamente imprevisível, agora. Não sei mais quanto tempo terei de me torturar com questões tão antigas e indesejadas. Devo soar "pressagiosa" e, por isso, peço perdão mas digo logo de frente que não há como evitar. Pessimismo é o mal de todos aqueles que vêem o que acontece em baixo da burguesa e hipócrita sociedade em que vivemos. Perturba-me tantas e tantas ideias que lamento serem extremamente reais. Creio que haja informação a qual possua que lhe faça sentir um pouco como me sinto. Estou enganada? A vida é uma grande cilada. E para você que duvida, espera só! Não há de demorar. Mas, calma... Cilada apenas não se é justo chamar. Existe também, muitos alguéns os quais você há de amar e hão de amar tu. E o amor, querido... Vai lhe fazer esquecer de muitos incômodos da parte "cilada"da vida. Não obstante, nunca se deixe enganar. Há ainda a parte da vida que se fala pouco e oprime a nós todos constantemente: a parte que faz você responsável por tudo aquilo que cativa. Aquilo que lhe faz responsável por tanto e tanto que às vezes não lhe cabe nas mãos e escorre entre os dedos. Tu, nega, lidará com isso sozinha e amarga, pois, novamente... és tua responsabilidade. Devemos olhar sempre bem para esse lado, pois nele se revela o que você realmente é, o que realmente quer. Conheça-te a níveis que nenhum amor ou cilada hão de alcançar, pois simplesmente será privado demais. Demais. Concorda? Todos hemos de ser felizes! Seremos! Use o futuro e o que existe. Use o que tem, o que é, o que quer e faça-se importante a si mesmo.

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