
A inspiração por vezes me afoba a fala e o olhar num estado incansável de espírito e mente. Me atravessam por dentro num pleonasmo vicioso que me leva a descer pra baixo e subir pra cima repetidamente sem ao menos notar o andar e ritmo que me proponho a passear. Ontem à noite, juro que ouvi teu sussurro enterrado em cobertas e enfiado nas pilhas de travesseiro que mais parece tropeços do meu coração.Parece desacertada a velocidade em que meus pensamentos fluem e carregam-se de densa oportunidade. A imagem projetada no âmago das minhas entranhas estranham a dinâmica oferecida gradualmente, num compasso desregular e apático. Regular e amável. Dentre danças e cigarros, rodopio em meio fumaça e risadas num propósito desconhecido e ignorado.Não ignoro, no entanto, tua presença cálida e teus pés gelados nos meus. Não é indicado definir os cálculos dos ângulos que meu corpo forma quando se aproxima do teu. Não é indicado falar mais baixo e se deixar levar por perturbados conceitos sem contradição pré estabelecida. Já disse e por mais vezes repito: O caos há de reinar. A variável é essencial para aqueles que buscam mais do que os olhos vêem. A reportagem disse que quando tu foi buscar pão, na fila já souberam o que você queria. Não presumo saber algo sobre o nada que me encaixa no tudo do mundo. O fluxo de palavras, rimas e gírias se emaranham em quantidades profundas de mar... e eu? Nem nadar eu sei. O algorítimo salvo na memória interna de mim me faz traçar passos falsos, em contexto calmo e doloroso num propósito indesvendável e ao mesmo tempo palpável.Asfalto a floresta que me cresce por determinação Estatal. Aos poucos, não há árvores, não há clareiras e não há mistérios verdes. Creio que todos se transformaram em devaneios e me assombram noite à dentro na esperança de um revolução digna de mim mesma. Compartilho o que resta, o que fica. E já me basta de palavras que criam em mim indignidade de estar. Vou voando baixo, em disritmia amiga. A suave melodia se encaminha e por mim eu nego minhas escritas, minhas palavras não hão de bonificar nem a mim mesma. O complexo espaço se alinha e se infiltra no meio de minhas linhas. O tremular de minhas mãos se ajeitam nas teclas do teu cabelo e versos voltam a se formar. Completo meu peito aberto com borboletas azuis e não há mais o que falar.