quarta-feira, outubro 31, 2012

Só pra não perder o espírito de Halloween.

Essa pequena fábula, que nem fábula é, é proposta num dia ensolarado a alto mar. Marujos por todo lado no navio, fedendo a peixe e tomando um bom e indispensável rum. A execução está prestes a começar e a capitã não vai demorar a vir para saudar nosso querido amigo fadado a fazer um pequeno percurso na prancha. Um pirata qualquer, igualmente deplorável como os demais, anuncia o começo da execução. Vários, que devaneavam, rapidamente se atentaram aos precedentes do acontecimento. Um perfume comum de rosas vermelhas se espalha pelo ar salgado, trazido pela bela capitã, de longos e dourados cabelos embaraçados. Sua roupa azul marinho e olhos claros traziam consigo uma certa frieza e instabilidade, assim como o oceano a que tanto amava e se dedicava. O dito cujo que iria morrer hoje, certamente, era um rapaz magrelo, moreno, com olhos tão escuros quanto as profundezas do tártaro. Sua barba por fazer e traços travessos o garantia uma certa beleza exótica, a qual a capitã condenara junto com o pecado que ele fizera. Qual seria? Isso é sigiloso. Não está aos saberes de meros marujos. Há murmúrios de quê o crime fora fazer a calculista capitã se humilhar. Para os que ousam mais, há quem diga que o erro do pobre rapaz, foi fazê-la se apaixonar. Absurdo. A opinião geral, para quem já navegava a algumas estações com a bela e intocável dama, era que tratava-se de ouro. Durante incontáveis segundos, a mulher caminhou, lado a lado com seu detento, levando-o pela a amarra em seus punhos, o homem que mais parecia garoto perto da capitã, subiu a prancha, sem maiores esforços ou reclamações. A população suja ria atrás com a desgraça alheia, e estimulavam a mulher para que a adaga que se encontrava em sua mão derramasse um pouco de sangue, antes do querido desconhecido ir para o fundo do oceano. Ordenou-se silêncio, e silêncio foi feito. Sem pouco caso nem nada, a capitã cortou as cordas que prendiam o condenado. Se não fosse o sol, podia-se jurar que os olhos da mulher tornaram-se marejados. O rapazinho foi esfaqueado 72 vezes, no coração, e apenas morreu na última. Até hoje não se sabe bem o porquê do número, sabe-se apenas que a capitã, o abraçou na última, e tentou ouvir seu morto coração, e logo em seguida, jogou-o no mar aberto. Nada mais foi dito naquele dia. Por ninguém. E muito menos pela capitã. O sol substituído pela lua regeu o navio, como sempre fazia. E tudo ficou nos conformes. Não é mesmo? 

HAPPY HALLOWEEN 

domingo, outubro 14, 2012

Imaginário.


Vou criar uma cidade de sonhos hoje, pouco importa se meus sonhos são sua desilusão. Ela é cinza, onde nada que você faça é certo ou errado. Um série de problemas é criado devido a monótona cor. Mas me diga, você acostumaria-se a viver em completa paz? Seria tal como um cinema mudo, só que com barulho. Muito barulho.Barulho de buzina de carro, de cachorro latindo, de furadeira, bebê chorando e alguns palavrões avulsos. Meu café no mundo cinza seria pretíssimo. Como seus olhos... Você viria pra minha casa, num dia nublado, assistiríamos um filme igualmente nublado, cor do céu. A chuva viria de mansinho, molhando-nos indelicadamente no coração. Te chamo pra comer algo, algo doce e colorido nesse mundo sem cor. Não há nada. Estou cansando-me desse mundo. Tô com fome. Quero te dizer uma coisa, qualquer coisa. Nenhuma palavra foi proferida até agora. O filme em preto e branco na TV preto e branco, nessa sala preto e branca, nessa cidade preto em branco. Paro. Será que em outro lugar, outra cidade, é assim também? Escuro, nublado, triste, barulhento? Pego você, te puxo pra meu carrinho mais ou menos, e também em preto e branco. Vou sair dessas barreiras, pretas e brancas, elas me dão alergia. Dirijo por um tempo, e por mais algum. Vou dirigindo, paro pra comer mais alguma coisa sem graça. A estrada não acaba mais. Mas continua a mesma. Olho pra você, mas é apenas um banco vazio. Está ali, apenas eu e a minha frustração. Tento voltar pra casa, mas esqueci seu significado e endereço. Encosto o caro num nada preto e branco qualquer. Fecho devagar minha pálpebras abraçando meus joelhos diante do volante. Não sei voltar.    E essa merda de cidade, ainda tá aqui? Ainda tá. Ela sempre tá.

domingo, outubro 07, 2012

Continuação



Falamos de começos, finais, meios... Mas onde se encaixam as explícitas continuações? Não se encaixam, não as enxergo. Há necessidade? Sei apenas que há uma constância. Implícita talvez. Você se julga certo? Se julga errado? Se julga? A nostalgia te consome. Eu sei, todos sabemos. Vem lá seu gato, com aquele olhar que pede ração. Você levanta, em silêncio, na sua casa silenciosa e caminha sem nenhum som. Ouve o barulho da mastigação do gato. Te irrita? Ele te olha, com cara de quem não quer nada. Você senta, ali mesmo, no chão. Tenta chorar, mas as lágrimas não vem. Não vieram ainda. Ouvi-se um miado. Você se julga errado? Tenta sorrir, mas os seus lábios se negam a se mover. Não há motivo. Você se julga certo? Ouça o tic-tac do relógio! Agradável, não? Pura ironia. O cotidiano te leva a loucura. E você? Cadê você? O que foi mesmo? Não há cotidiano, nostalgia, ironia, loucura, constância ou sensação do pouco agradável com você. Não há continuações, meios-termos, meias-verdades, meios-sentimentos, meios-qualquercoisa. Sufoca. Sem você, sufoca. A horrível sensação do nada. Do nada constante, irônico, pouco agradável, nostálgico... Você se lembra que tem uma vida, que tem que seguir um plano, os padrões sociais. Te irrita? Te dá ódio. Mas você irá mesmo contra tanta gente? Uma maré de manés. Gostei. Vire-se pro gato. Ele te olha de maneira curiosa, esperando a continuação.
- Mané!

Seu Sorriso.

Largue as palavras bonitas de lado
Sinta que você se fez bem dessa vez.
Quem diria... Você deitado,
Olhando pra mim, como se houvesse um talvez

Talvez do quê, pergunto.
Não ouso dizer.
Inacabável assunto,
Você.

Documento em branco;
Existe uma falha aí.
Não vejo nenhum avanço...

Utilizo da palavra mês.
Se faz contar presente, constante
Te quero aqui, pouco me importa a insensatez.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Ruby.

Foi ontem. Ou seria hoje? Você veio assim... Devagar. Do nada. Rápido demais. Foi tomando seu espaço, tomando um copo de alguma coisa. Coisa doce... Amarga! Diferente. Abrindo um pequeno e profundo - no qual eu poderia me afogar - amor. Não entendi, na realidade ainda não entendo. Pensamentos os quais vejo formar, os quais tenho sede por saber. Ânsia. Algo diferente. Eu gosto. Dá um breve gosto de sorvete... De café; Num dia qualquer, um gesto qualquer. Diria até que.. Não! Não diria nada. Seria imperfeito, não combina. Não combina com seu jeito, não combina com nós. Pois é, não perdoa ninguém, esse amor.

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