domingo, outubro 14, 2012

Imaginário.


Vou criar uma cidade de sonhos hoje, pouco importa se meus sonhos são sua desilusão. Ela é cinza, onde nada que você faça é certo ou errado. Um série de problemas é criado devido a monótona cor. Mas me diga, você acostumaria-se a viver em completa paz? Seria tal como um cinema mudo, só que com barulho. Muito barulho.Barulho de buzina de carro, de cachorro latindo, de furadeira, bebê chorando e alguns palavrões avulsos. Meu café no mundo cinza seria pretíssimo. Como seus olhos... Você viria pra minha casa, num dia nublado, assistiríamos um filme igualmente nublado, cor do céu. A chuva viria de mansinho, molhando-nos indelicadamente no coração. Te chamo pra comer algo, algo doce e colorido nesse mundo sem cor. Não há nada. Estou cansando-me desse mundo. Tô com fome. Quero te dizer uma coisa, qualquer coisa. Nenhuma palavra foi proferida até agora. O filme em preto e branco na TV preto e branco, nessa sala preto e branca, nessa cidade preto em branco. Paro. Será que em outro lugar, outra cidade, é assim também? Escuro, nublado, triste, barulhento? Pego você, te puxo pra meu carrinho mais ou menos, e também em preto e branco. Vou sair dessas barreiras, pretas e brancas, elas me dão alergia. Dirijo por um tempo, e por mais algum. Vou dirigindo, paro pra comer mais alguma coisa sem graça. A estrada não acaba mais. Mas continua a mesma. Olho pra você, mas é apenas um banco vazio. Está ali, apenas eu e a minha frustração. Tento voltar pra casa, mas esqueci seu significado e endereço. Encosto o caro num nada preto e branco qualquer. Fecho devagar minha pálpebras abraçando meus joelhos diante do volante. Não sei voltar.    E essa merda de cidade, ainda tá aqui? Ainda tá. Ela sempre tá.

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