domingo, outubro 07, 2012

Continuação



Falamos de começos, finais, meios... Mas onde se encaixam as explícitas continuações? Não se encaixam, não as enxergo. Há necessidade? Sei apenas que há uma constância. Implícita talvez. Você se julga certo? Se julga errado? Se julga? A nostalgia te consome. Eu sei, todos sabemos. Vem lá seu gato, com aquele olhar que pede ração. Você levanta, em silêncio, na sua casa silenciosa e caminha sem nenhum som. Ouve o barulho da mastigação do gato. Te irrita? Ele te olha, com cara de quem não quer nada. Você senta, ali mesmo, no chão. Tenta chorar, mas as lágrimas não vem. Não vieram ainda. Ouvi-se um miado. Você se julga errado? Tenta sorrir, mas os seus lábios se negam a se mover. Não há motivo. Você se julga certo? Ouça o tic-tac do relógio! Agradável, não? Pura ironia. O cotidiano te leva a loucura. E você? Cadê você? O que foi mesmo? Não há cotidiano, nostalgia, ironia, loucura, constância ou sensação do pouco agradável com você. Não há continuações, meios-termos, meias-verdades, meios-sentimentos, meios-qualquercoisa. Sufoca. Sem você, sufoca. A horrível sensação do nada. Do nada constante, irônico, pouco agradável, nostálgico... Você se lembra que tem uma vida, que tem que seguir um plano, os padrões sociais. Te irrita? Te dá ódio. Mas você irá mesmo contra tanta gente? Uma maré de manés. Gostei. Vire-se pro gato. Ele te olha de maneira curiosa, esperando a continuação.
- Mané!

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