Essa pequena fábula, que nem fábula é, é proposta num dia ensolarado a alto mar. Marujos por todo lado no navio, fedendo a peixe e tomando um bom e indispensável rum. A execução está prestes a começar e a capitã não vai demorar a vir para saudar nosso querido amigo fadado a fazer um pequeno percurso na prancha. Um pirata qualquer, igualmente deplorável como os demais, anuncia o começo da execução. Vários, que devaneavam, rapidamente se atentaram aos precedentes do acontecimento. Um perfume comum de rosas vermelhas se espalha pelo ar salgado, trazido pela bela capitã, de longos e dourados cabelos embaraçados. Sua roupa azul marinho e olhos claros traziam consigo uma certa frieza e instabilidade, assim como o oceano a que tanto amava e se dedicava. O dito cujo que iria morrer hoje, certamente, era um rapaz magrelo, moreno, com olhos tão escuros quanto as profundezas do tártaro. Sua barba por fazer e traços travessos o garantia uma certa beleza exótica, a qual a capitã condenara junto com o pecado que ele fizera. Qual seria? Isso é sigiloso. Não está aos saberes de meros marujos. Há murmúrios de quê o crime fora fazer a calculista capitã se humilhar. Para os que ousam mais, há quem diga que o erro do pobre rapaz, foi fazê-la se apaixonar. Absurdo. A opinião geral, para quem já navegava a algumas estações com a bela e intocável dama, era que tratava-se de ouro. Durante incontáveis segundos, a mulher caminhou, lado a lado com seu detento, levando-o pela a amarra em seus punhos, o homem que mais parecia garoto perto da capitã, subiu a prancha, sem maiores esforços ou reclamações. A população suja ria atrás com a desgraça alheia, e estimulavam a mulher para que a adaga que se encontrava em sua mão derramasse um pouco de sangue, antes do querido desconhecido ir para o fundo do oceano. Ordenou-se silêncio, e silêncio foi feito. Sem pouco caso nem nada, a capitã cortou as cordas que prendiam o condenado. Se não fosse o sol, podia-se jurar que os olhos da mulher tornaram-se marejados. O rapazinho foi esfaqueado 72 vezes, no coração, e apenas morreu na última. Até hoje não se sabe bem o porquê do número, sabe-se apenas que a capitã, o abraçou na última, e tentou ouvir seu morto coração, e logo em seguida, jogou-o no mar aberto. Nada mais foi dito naquele dia. Por ninguém. E muito menos pela capitã. O sol substituído pela lua regeu o navio, como sempre fazia. E tudo ficou nos conformes. Não é mesmo?
HAPPY HALLOWEEN

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