sábado, novembro 30, 2013

Feito café.


Por um segundo, descobri-me inacabada. Senti-me como um rascunho. Incompleta, perplexa e inalterada a anos! O meu tempo de garantia expirou e a insegurança reina... Sinto que vou quebrar-me, sinto-me rompendo de fora pra dentro. Um estardalhaço de vidros. De fora pra dentro, penetrando minha pele e atingindo meus órgãos vitais. Apesar dos apesares, a necessidade está escorrendo... Derretendo... Substancialmente problemático.
 - Volte a seu estado sólido! - Digo ao meu bem-viver.
 - Volte você a seu estado compreensível - A resposta é vangloriada.
Que sentimento, que expressão, que atitude seria-lhe adequado? A adequação seria adequado? A perspectiva diz veemente que sim, não, sim. Calcule a frequência, desvende o gráfico! A adequação é desejada? A letra da música me responde em calmo samba. A poesia de Clarice Lispector me mergulha na minha própria... Vital? Tempo... De fora pra dentro! Você se identifica; se opõe; se reproduz; se interliga... O rascunho final é tão não-seu quanto meu bem-querer.

sexta-feira, novembro 22, 2013

A Política do Suicídio.


A comparação é praticamente um insulto. - Você se garante na frente do espelho - Na verdade não é mero insulto, é o maior deles. O sentimento de rebaixamento é visível e insultante. É um absurdo, um insulto! Porém, na verdade, é como se fosse uma verdade mascarada... Nada daquelas filosofias malucas sobre a subjetividade da verdade, é apenas uma verdade de maquiagem. E vestido de gala. O melhor amigo diria-lhe a verdade crua, o amigo lhe mostraria maquiada. E o insulto? Persistente. A vontade de lhe garantir é latente. O insulto foi demasiado avassalador. Fiquei atônita com a atitude deles. Quem pensam que são? Por um breve acaso já olharam-se no espelho? Já viram as miseráveis qualidades que os rondam? - Há a elevação notória dos pés dela - Ainda para finalizar, insistem em dizer que minha verdade encontra-se influenciada! Saberia vocês o que influência significa? Saberia vocês o que lhe renderiam uma bela influência? Não a julgue assim, tão depressinha... depressinha. A influência tornou-se o insulto, e o insulto tornou-se a maquiagem... De cara... às claras, cara por cara! - O golpe final causa um grande trabalho ao especialista em esparramento de sangue.

Administração.


Imagine cada indivíduo como uma empresa de marketing: O objetivo é ressaltar, vender uma imagem, entreter. Cada pessoa que você conhece vende uma imagem de si mesma e você deve a julgar de acordo com essa enquadrada perspectiva (embora saiba que não se trata apenas disso, pois você também é uma pequena empresa). Por você ser um ser pensante e também um tanto quanto emocional, você acha (erroneamente) que não deve ser tratado como um objeto, e é aí onde a maioria dos adultos se enganam.E digo adultos pois crianças não demonstram interesse algum nesse tipo de introspecção, e não, não deveria haver exceções. Todos nós, humanos, somos manejados, confeccionados e endireitados para entreter a nós mesmos. Até porque sem esse entretenimento próprio, seria um tanto quanto complicado nossa vivência. Imagine ainda um mundo onde a anarquia é declarada. Imagine um indivíduo anarquista. Imagine seu próprio mostruário, na sua própria esquina do seu próprio centro da sua própria cidade. Assimile a definição da palavra próprio. Administre a si mesmo, administre a sua própria anarquia interna. Administre eles. Administre todos. É o objetivo do marketing. É o objetivo da "empresa" e você tem um prazo a manter.

sexta-feira, novembro 08, 2013

ABC da vivência

 O relógio na parede branca dá gosto. Gosto de se olhar, de olhar as horas.As horas vão passando rapidamente enquanto o sol raia no horizonte. A verdadeira surpresa é ver o sol raiar. Já se passaram dias, já passou-se você. O relógio na parede quebrou e agora eu acompanho as horas do dia através do Sol. Já fazia tempo, mas realmente nem reparei... Até então. Foi súbito, ou será que foi de súbito? Não importa. O vocábulo é  inconstante, os pleonasmos viciosos. O gerúndio se repete incansavelmente. As sílabas se dividem de forma que formam você. É contemporâneo, é viajante. Ache-se no meio da confusão de letras, inspire-se e preste atenção na imagem que se forma diante do espelho. Respeite-se antes de exigir respeito. Exija saudade, exale amor. É contemporâneo, é o relógio, é a vida... E que horas são? Olhe o Sol.

quarta-feira, novembro 06, 2013

A tragédia do amor

A objetividade de amar é precisa, inconstante e indecifrável. Se você pensar, é bem clichê: Há o nascimento - Leve, rápido, intenso; Depois vem o desenvolvimento - Devagar, brando e tão pesado quanto carregar o sol nas costas. O envelhecimento é a melhor parte. Os velhos são a pior. A dependência é grande, assim como a necessidade. A visão de mundo é vasta, e conhece-se tudo. Conhece-se tudo aquilo que é teu. Tudo aquilo que é meu. É subjetivo, é metafórico e possui rima regular. O Eu desacredita e o Outro já cansou. As horas se arrastam, mas o tempo passa depressa... Depressinha. Não há muito o que dizer, os rins já não funcionam tão bem! E os olhos, opacos, já não vêem com a mesma clareza de outrora. 
- Eu lírico, meu bem, tens certeza?
- Pois então, caro leitor, certeza não se tem, pois essa palavra é pura utopia. A humanidade a extinguiu de modo que só se é meia certa em cálculos matemáticos.
- Como podes acreditar que há de se viver sem certezas?
- Há de se crer que vivemos da tragédia do amor, a mais incerta das (in)certezas, e isso nos garante, tchê.
O último suspiro é o mais doce. O sorriso é certo e a lágrima verdadeira, e como se não tivesse ocorrido, acabou.

sexta-feira, novembro 01, 2013

Auto-preservação.

O cenário é bizarro: misturado, triste, melancólico e rancoroso. A expressão na face de todos só pode ser descrita como espanto. O desapego no qual ela os olha, é surpreendente. É profundo e significante de um modo que ninguém nunca havia visto. Por longos minutos, o silêncio é intocável e o véu que separa o amor e o ódio é extremamente espesso. Não seria estranho dizer que foi tocante, mas seria menos estranho não dizer nada... A justificação é ampla e implacável. Indiscutível. Não há discussões em um ambiente em que não há dúvidas. Seria como um sonho utópico. A igualdade seria garantida, e o amor reafirmado como única forma de garantia. Garantia inexistente mas ao mesmo tempo implicitamente tangível. Garanta-se. Garanta-se no amor, ou garanta-se no ódio. Garanta-se em algo. Mantenha os pés no chão e tome uma posição decente de como você aceita sua vida. Não volte atrás, não se volta atrás em nada... O jeito que você leva sua vida irá garantir a vida de seus filhos e seus filhos garantirão a vida de seus netos. Pense bem e garanta-se meu bem, antes que alguém garanta-se por você.

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