segunda-feira, novembro 05, 2012

Um expresso pra viagem, por favor.



Vou ser bem melancólica ao dizer que você na minha vida teve gosto de lágrimas e café. Daqueles que amargam até a última gota. Não vou mentir, que por muitas vezes, você foi aquele café docinho, que dá vontade de mais. Numa xícara branca com um coração desenhado, num dia chuvoso e blusa de manga comprida azul marinho. Alguém há de ter misturado chocolate sem eu perceber. Saio para fora, com ânsia para que as frias gotas toquem minha pele e me afastem de pensamentos malucos. Escuto uma música mentalmente. "There's no need to go outside". Tenho um rápido devaneio de como seria te perder. Teria gosto de lágrimas ou de café, afinal? A chuva se torna mais intensa, e decido entrar pra casa. Chamo por ninguém. Vou pra frente da TV e assisto um desenho meio que nada haver. Pra passar o tempo. Aos poucos nós temos de nos acostumar, certo? Aos poucos temos que nos adaptar. É uma regra básica proposta indiretamente por nós mesmos. A cafeteira elétrica está ligada agora, preparando meu café. Pretinho, como se não houvesse outra cor no mundo. Ou segundo alguns, até mesmo a total ausência delas. Deixo-o em cima da mesa, sem nem mesmo levá-lo a boca após pôr na xícara. Deixo-o ali, sozinho. Prefiro não proferir nada, o subentendido é mais interessante. Vira subjetivo, e o subjetivo nada mais é que a sua verdade. Relate-a para mim meu bem. Quem sabe você não descobre?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores