Perante ao tempo, todos nós somos tão pequenos. E criamos dramas tão grandes! Para situações tão fúteis. Tão supérfluas e superficiais. Já acreditei em muita coisa. Não tenho vergonha de dizer que já cheguei a duvidar do amor. Já cheguei a pensar que tem data de expiração, prazo de validade. Por que não teria? Tudo passa com o tempo, segundo muitos. Quando pequena, já acreditei que as terras além mar não passavam de fantasia. Que o Peter Pan era real. Que Hogwarts com certeza reconheceria minha aptidão a magia, e que meu ídolo me conhecia e a meu platônico amor. Bobinha. Porém, nunca machuquei a ninguém com meus sonhos. Após aprender que tudo isso em quê acreditava eram erros, e após aprender que sonhos podem, sem dúvida, machucar alguém, eu te percebi. Talvez já houvesse percebido antes, mas devido a tempestades e música alta, não dei atenção. O emaranhado de fios, os quais constituíram minha vida até o dado momento, já havia formado incontáveis nós cegos. Você ofereceu ajuda. Desconfiei, mas por fim me dei por vencida. Escutei suas táticas e razões. A tempestade se tornou numa garoa fininha e a música alta, em música de fundo. Calma. As coisas se tornaram pacíficas. Não desconfiarei do seu sorriso até então. O fio que me ligava a minha infância era curto. Passava rápido e precocemente demais por debaixo do carpete. Num suspiro lembrei-me de você. Lembrei-me apenas para fingir tê-lo esquecido. Você procurava um começo de um longo fio cheio de nós. Levaria algum tempo, e eu não me preocupava na demorar de ver-te. Sentei em algo macio perto dos meus pés, e diante de ti, sorri. Passei a não querer crer que amar tinha tempo cronometrado. Passei a não querer crer que você haveria de achar a ponta desse fio mais cedo ou mais tarde. Passei a não querer crer que pude viver sem você até hoje. E sabe o quê mais? Minha Terra do Nunca é você.

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