Nunca precisei de definir minhas metáforas, antíteses ou o modo no qual eu escrevo. Nunca necessitei de uma presença exterior ao meu cotidiano para ter assunto. Nunca precisei de uma fonte de inspiração. Nunca precisei de nenhum "você". Trechos das minhas memórias passadas eram o suficiente. Ou até mesmo lembranças do meu futuro. O gosto de uma fruta era extraordinariamente inspirador. Um sorriso de uma criança, uma frase a qual escutei durante o dia, uma moça bonita a qual eu gostaria de não saber a história. Deve ser fútil demais para sua beleza. Não faz jus. Seria mais fácil e menos decepcionante imaginar. Ontem mesmo tive uma memória da minha idade avançada. Eu estava sentada, naquelas cadeiras que balançam, coisa de idoso mesmo. Eu olhava para um pires onde estava abandonada uma xícara de chá. Não café, mas chá. Não havia ninguém por perto. Só eu e o chá. Amargo, sem dúvidas. Daí percebi que eu sentia sua falta, antes mesmo de aprender a te amar. O "você" tornou-se inspiração. Senti a vontade de te explicar. Mas não consegui. As palavra não se arranjavam de modo coerente na frase e seu olhar me pressionava de maneira a qual eu não conseguia proferi-las. Logo, desisto. E percebo, que de fato não há necessidade de falar sobre isso. Minhas atitudes por si só falam. Ou eu acredito que falem. Bem, no final, todos nós saberemos.

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