Isabela.
Isabela era uma mistura. Muito confusa, na verdade. Uma vez foi confundida com si mesma numa esquina em Roma.Perguntaram por ela mas ela mesma não sabia onde se encontrava. Era estranho, improvável e intenso a ideia de que uma pessoa não sabia se localizar... Isso não é ilegal? She was a projection, dream projection indeed. De qualquer forma, quando Isabela sorria, o pequeno mundo ao seu redor parecia querer sorrir-lhe de volta. Como se não o bastante, a atmosfera persistia com o movimento leve da sua mão pálida. O ambiente era impedido, por forças maiores (talvez aquelas que contataram Jânio Quadros), a proferir apenas o silêncio. O interessante era que, de fato, Isabela não era minimamente exclusiva. A não ser pelo seus olhos, que nada enxergavam, Isabela era uma cidadã totalmente comum. Mas havia algo, algo no modo em que sonhava, algo no modo com que lhe diziam "buon giorno". A capital italiana exalava Isabela e Isabela exalava Roma. Lei era una proiezione. Não considerava apropriado que suas palavras se tornassem eternas. Dizia, bem alto e claro: "Somos feitos de momentos, meus amigos... Momentos não são feitos para durar, mas para se viver." E os dentes apareciam logo atrás, bem bonitos na espera de sentir um olhar cúmplice da sua ilusão antropológica. Não lhe interessava os palpites contra, não lhe interessava nem mesmo se fazia sentido. O momento já passara e ela ansiava demais encontrar a si mesma em meio aquele cabelo escuro e denso, para lhe dar mais atenção do que o razoável. Pretendia viver ali, junto com seus amigos e seus cabelos pelo tempo que o ambiente desejasse sorrir-lhe. O problema de Isabela era mais simples do que muitos problemas seu: Os amigos dela não possuíam vida fora de seus sonhos. Delirante? Bem, não é obrigação de Isabela agradar aos padrões de nenhum de nós. Ela tem um escudo. Ela não irá chorar na sua frente e nem te fazer sorrir. Não irá atender às suas expectativas. Isabela é livre para ser e sonhar.
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