quarta-feira, julho 09, 2014

Ânsia de Permanecer.


Como um baque surdo que soa aos ouvidos como um zunido, eu vi você cair. Cair em uma imensidão de mim que nem mesmo acreditei no tamanho da minha existência. Como se fosse no vácuo, vi a mim cair em você também. Conceito anterior de liberdade, fragilidade, caridade... Fidelidade. Fiel a tua rotina e aos teus devaneios, não há retorno para a cidade de veraneio. Mantenha-se de pé, e aguente firme porque outra escolha não há. Nunca houve, o seu livre arbítrio é delimitado por você mesmo e quer saber? Você é fraco. Não o alcançará nem em um milhão de anos e nem na imensidão de mim mesma. Não vejo o porque de continuar na luta de um dia ver ou ser algo melhor. Por quê não desiste? Não está cansado, sobrecarregado de tanto pesar? Por que não se livra da culpa? Porque não se livra da culpa. Eu sou tu, afinal, teu reflexo... Bem e mal! O jogo de palavras que utilizo bem me acompanham a noite a dentro, lá fora de mim. No diâmetro do meu esôfago e no fundo do coração. Não ouse confiar na sua própria palavra, mais duvidosa não há. Confie em mim, pois. Te farei bem, de mansinho e com carinho. Igualdade nunca fora nosso forte e o pretérito mais que perfeito garante a veracidade dessa fato, mas, peraí... "Desde quando você tá aqui? Não te vi chegar, não te vi entrar e não te vi ser o governante desse lugar." Quem deixou foi você. "Não deixei nada não... Seguranças! Retirem o intruso." E o moço com cara de malfeitor só o encara em uma piedade mútua consigo mesmo para com aquela criança mal formada e de aparência pálida, suando frio, sem confiança. Dá as costas para ele por fim de um jeito de quem diz: "Rapaz, porquê fui aceitar esse emprego?" e some de vista em um piscar de olhos. A criança, o rapaz, o homem ou seja lá como queiram chamar esse personagem palpável me olha nos olhos como se me conhecesse... Ou melhor, como se estivesse me reconhecendo de fato, entendendo o porque da minha presença naquele subconsciente do teu peito vazio a tanto tempo e repentinamente a confiança exala pelo quarto e me abafa com teu calor em forma de palavras sujas, rebaixadas, bravas e ao mesmo tempo queridas: "Por que foi que demorou tanto?" Essa eu não vou responder. Calmamente lhe digo que prefiro comunicar sobre isso mais tarde e tenho a certeza que já está respondido. No Sol poente do nosso coração, eu me garanto na tua presença maravilhosa. Tu és, portanto, a quem meu Eu indagava... Todos as vezes que voltava para casa a noite, de fininho, tentando não acordar, esse meu Eu assolava minha alma, tentando me arrancar respostas de porquê eu estava sozinha mais uma vez, chorando feito neném e com o coração na mão. Vigiando os quatro cantos pois já não sabia mais o que fazer. O clichê me encontra finalmente e eu - nós - o olho com uma cara de total incompreendimento da situação. Pois bem, vai lá. Me dá a mão porque agora você não tá sozinho, e sua casa vai ser comigo. Não demora, sim? Não tenho paciência para meio termos, querido... Mas te espero, assim, vem assim.


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